Posted 2 years ago
De quando Sócrates e eu nos beijamos

Ontem fui assistir a excelente peça de Zé Celso, O Banquete, no Teatro Oficina. A montagem parte de um banquete ocorrido na casa de Agatão, no qual Sócrates fala sobre o amor, em discurso que se tornou famoso e que reflete a ideia de “amor platônico”.
O Banquete é um dos mais de trinta diálogos filosóficos escritos por Platão no século V a.c., e hoje considerados obras seminais do pensamento ocidental, estudados por filósofos e fundamentais na formação das teorias da psicanálise.
Todos estão reunidos na casa do poeta Agatão, recém chegado da vitória com Bacantes nas Dionísiacas, mas ainda de ressaca do banquete anterior. Pausânias propõe então que em lugar de beberem, ficassem ali a conversar, a discutir ou que cada um fizesse algo “diferente”. Essa proposta é aceita por todos. Eriximaco (um médico, vivido pelo meu amigo Rodrigo Andreolli) sugere que se fizesse elogios a Eros, no qual os convidados deveriam fazer um discurso para louvar o amor. Mas Sócrates resolve que antes de falar sobre o bem que o amor causa e seus frutos, deveriam definir antes o que é o amor.
Na peça algumas pessoas participam do banquete. E eu banqueteava, comia frutas e bebia vinho.
Em certo momento Sócrates (Zé Celso) veio em minha direção. Eu estava deitado e ele deitou ao meu lado. Ficamos de mãos dadas: eu acariciando seus cabelos brancos e ralos e ele discursando sobre o amor. “Estou aqui por causa deste mocetão”, disse – pouco antes de se virar para mim e me olhar nos olhos.
E nos beijamos.
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