Posted 2 years ago
Das escolhas
Ela precisava trocar uma roupa que tinha ganhado, então fomos até a loja. Depois de olhar tudo com atenção, escolheu umas quatro ou cinco blusas e vestidos – lindos, mas que certamente ficariam bem melhor nela – e foi até o provador. Eu sabia que isso ia levar algum tempo, então saí da loja e fui ler um Paul Auster.
“Com licença, a moça está te chamando ali no provador”. Fui, ela queria que eu a visse. E eu ali, de pé, com meu melhor sorriso-bobo, morri. E assim foi em todas as outras vezes que ela saía da cabine para mostrar.
Depois de todo o processo, comecei a falar de cada um. Disse que meu predileto era o vestido azul, e que só não tinha gostado tanto de uma blusinha cinza que tinha algo na frente, como uma faixa costurada, dessas coisas que os homens não entendem muito bem.
No final decidiu pelo vestido azul. Bem provavelmente porque era mesmo seu predileto, ou porque alguém-que-poderia-ser-qualquer-outro tinha gostado muito. Talvez somente uma escolha simples, quase que automática. Não sei.
Mas para mim foi como se todas as estrelas do mundo gritassem e as pessoas silenciassem.
Notes